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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Jogos de aparências

11.11.13publicado por Gato Pardo

Já no término do meu dia recebi um telefonema. Amiga de longa data chega de viagem de longo curso.

- Café?

- Claro, miúda. Isso não se pergunta. Terminal 1?

Aeroporto de Lisboa. O pior sítio possível para beber café. Não só porque o café é de qualidade muito dúbia mas os preços são escandalosamente elevados. Muito cansaço acumulado, muita conversa colocada em dia.

- Olha, lembras-te daquela teoria que partilhei contigo uns anos atrás? - perguntou ela.

- Sim, a famosa lenda do "se aparento ser mais que tu, certamente sou mais que tu"...

- Vou-te provar que é mais que uma teoria.

E num movimento agarrou-me pelo braço e encaminhou-se para uma mesa onde duas hospedeiras de bordo conversavam alegremente.

- Peço desculpa por interromper as meninas mas eu e o meu amigo gostávamos de colocar uma pequena questão. Assim do nada, qual de nós os dois vocês diriam que tem mais sucesso na sua vida?

Era uma questão perdida à partida. Ela com o seu conjunto Ana Sousa, maquilhagem impecável e sandália de salto agulha e eu de calças de ganga, sweat shirt e ténis confortáveis. No win situation...

Existiu um ligeiro momento de hesitação (provavelmente a acharem que aquilo era a pior frase de engate de uma lésbica e o seu wingman) mas a resposta lá saiu.

- Você, sem dúvida. É mais que notório... - respondeu uma delas.

- Sim, concordo. - anuiu a outra.

Sorri.

- Sim, acabaste de provar o que sempre disseste. - disse.

- Obrigado, meninas. Desfrutem do vosso super dispendioso café e peço desculpa por interromper a vossa conversa.

Voltámos para a nossa mesa.

- Convencido? - questionou.

- Mas para quê tentares convencer-me de algo que eu já sei desde os primórdios da humanidade? Se as aparências e a ostentação dão a entender algo, é certo e sabido que a balança inclina 99% das vezes para esse lado. Estivesse eu de fato e gravata e tu de roupa casual e a resposta penderia sempre para o lado do que os olhos comem.

- Sim, mas é um conceito errado.

- Claro, querida. Mas o universo por estes dias não joga pelas nossas regras. E pelo que conheço de ti, nenhum de nós joga pelas dele. Senão seríamos iguais às duas meninas a quem fizeste um pequeno inquérito de esplanada. E não somos.

Passados uns momentos despedi-me da minha amiga e fui à minha vida. Fiquei a matutar nesta questão do quanto a ostentação influencia as relações e a forma de estar das pessoas. Se o sucesso fosse transversal ao guarda roupa e jóias que ostentamos, então haveria muita gente cuja alma já estava mais que penhorada. Eu tenho ouro? Tenho. Ostento-o? Não. A maioria foi herdado e está guardado em cofre bancário, não num balcão de discoteca ao pescoço de uma gaja com mamas 52. Passei mais de uma década aprumado, fatinho engomado, gravata alinhada, sapatinho engraxado. Portanto, um gajo de sucesso, pelos parâmetros das duas meninas questionadas hoje. Só me recusava era a alinhar o cabelo. Essa sempre foi imagem de marca. Ia comer a tascas, falava alto e verbalizava os maiores impropérios que me davam na gana bem como tinha amigos de todas as classes etárias. Agora que estou na minha fase de casual clothing, curiosamente não aparento ser um gajo de sucesso mas acho que nunca fui tão bem sucedido nos meus projectos como agora. Os fatos estão guardados, as gravatas idem e os sapatos continuam a estar engraxados. Sim, porque um sapatinho engraxado e confortável no pé é sempre bom. Ah, e o cabelo nunca esteve tão rebelde e com uma personalidade tão vincada como agora. Coincidência ou não, mandaram-me um vídeo que cai que nem uma luva neste post. A uma mulher é-lhe oferecida boleia por um gajo num carro sobejamente modesto. Recusou. Ar de desdém. 15 minutos depois, aparece um amigo do primeiro num descapotável ainda a cheirar a novo. Acham mesmo que a reacção foi a mesma? Não, não achem. Claro que entrou. Durante 30 segundos que foi o tempo que o gajo demorou a explicar que o amigo dele tinha passado 15 minutos antes com a atitude dele e ela mandou-o plantar nabos. Os mesmos nabos que ela foi apanhar ao ser corrida do carro.

Enquanto as pessoas não olharem para além do bling, do 2.5 Turbo Diesel e do Iphone de última geração não se passa da cepa torta.

As posses e aparências não definem as pessoas. Mas demonstram muito sobre aqueles que lidam contigo baseado nelas.

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